Araxá – O ano de 2012 não foi simples para o Brasil. As más notícias econômicas pipocaram em todo lado. Ali, no final das contas, está instalada a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), fortíssima candidata ao posto de organização com a vida mais fácil do povo. Apesar do nome genérico, a CBMM tem uma atividade muito específica.
A mineradora tem, em Araxá, nada menos que 75% das reservas mundiais de nióbio, metal utilizado pela constituição do aço pra torná-lo mais suave e maleável. O nióbio é usado em produtos tão abundantes quanto foguetes e lâminas de barbear. Como tem domínio absoluto do mercado mundial de um metal tão valioso, é árduo alguma coisa ceder errado nas montanhas de Araxá.
Quando EXAME visitou a sede da corporação, no fim de 2012, os 1.800 funcionários da CBMM estavam felizes da existência. Haviam acabado de ganhar nove salários, referentes à participação nos lucros. O bônus valeu pra todos, inclusive o faxineiro. Enquanto a nação lamentava o pibinho de 2012, a turma do nióbio gargalhava de alegria.
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Mas quem tem mesmo motivos para sorrir é a família Moreira Salles. Conhecido por tua trajetória no mercado financeiro, o clã tem há décadas um pé na mineração. Após montar o Unibanco, nos anos 20, a família se uniu ao Itaú e hoje tem 17% do maior banco brasileiro. A fatia vale cerca de 26 bilhões de reais. Em 2012, a CBMM faturou quatro bilhões de reais, 17% mais que no ano passado. Sua margem de lucro é de 50%. Se não vale tanto, a participação acionária do clã na mineradora chega muito perto. Há 2 anos, os Moreira Salles venderam participações minoritárias na CBMM pra empresas chinesas e japonesas.
A transação avaliou a mineradora em 26,nove bilhões de reais. A participação de 70% dos Moreira Salles na montanha de nióbio vale, então, quase 19 bilhões de reais. E também ser localizado nas rochas alcalinas de Araxá, o nióbio só foi achado — em proporções muito menores — em Goiás (onde é explorado na Anglo American), no Amazonas e em regiões do Canadá e da Austrália.
De acordo com a bolsa de Londres, o quilo de nióbio vale 90 dólares — ou 45 vezes mais do que um quilo de alumínio. O metal vale muito visto que, e também singular, é um componente fundamental numa série de produtos industriais. Tem-se, assim, o mais recomendado dos mundos. O tal nióbio vale muito dinheiro, Araxá tem 75% das reservas da Terra e a CBMM conta com uma perícia para, no ritmo atual de análise, vender o metal por mais 200 anos.
Como se não bastasse tudo isto, a extração do nióbio de Araxá é de uma praticidade de causar inveja a cada minerador. O serviço em nada lembra as custosas explorações de ouro, cobre ou minério de ferro. O nióbio de Araxá fica na superfície. Os “mineiros” da CBMM, desta forma, jamais ficarão presos em túneis escuros em caso de acidentes. A análise do nióbio da CBMM consiste em tirar a terra de uma enorme área de quatro quilômetros de largura por quatro de comprimento e levá-la pra uma espécie de peneirão.
É quando o nióbio, de cor azulada, é separado da terra comum para depois ser comercializado pros compradores. O negócio da CBMM é tão excelente que até o lixo apresenta dinheiro. A corporação está criando uma tecnologia que explora os rejeitos do minério e extrai novos elementos químicos que são capazes de ser usados para a criação de itens como lâmpadas incandescentes e catalisadores automotivos.
São as terras-raras, tão valiosas hoje em dia. É ou não é mágica a montanha de Araxá? Tudo isto faz da CBMM uma corporação e tal para trabalhar. 800 funcionários recebe menos de 2? 488 reais por mês — valor equivalente a quatro salários mínimos. Isso sem revelar a neste momento argumentada participação nos lucros.